outubro 2017

ART DECO no Rio de Janeiro

O primeiro bairro ART DECO no Rio de Janeiro foi Copacabana. Isso só começou na década de 20, pois antes este era um bairro distante das regiões habitadas da cidade – os arredores do bairro Tijuca. Naquela época apenas doentes tomavam banho de mar e a Baía da Guanabara era muito mais aprazível para atracamento de barcos e navios que a orla de Copacabana. Era século XVIII e um francês de sobrenome Leblon caçava baleias para extrair o óleo para construção civil e barbatanas para os espartilhos. Anos mais tarde um tcheco de sobrenome Fialho tenta sem sucesso instalar transporte coletivo até a região. Como os bondes (ainda puxados a burros) eram detenção de uma certa companhia, ele não conseguiu. Apenas em 1906 Pereira Passos o consegue, e asfalta tantos quilômetros quanto as ruas de Paris. E assim começa a história do bairro.

Primeiro veio o Copacabana Palace em 1923. Nele morou Santos Dumont, que perturbado pelos acidentes causados pela sua invenção se mantinha em tratamento. Banhos de mar eram indicados, mas o interessante é que os mesmos se realizavam com roupas impermeáveis e a noite para fugir do sol. Ou seja, uma grande hidromassagem. Mas a família Guinle era muito generosa e mantinha cartões de amizade com passe livre para o hotel. Imagine que o mesmo passou por maus bocados com 4 hóspedes e 1000 empregados – necessário devido a inóspito local.

Em 1928 com a indústria da guerra a todo vapor, o cimento armado e o ferro eram abundantes. Criou-se um estilo decorativo chamado Art Déco (supressão de Art Décorathif) que espalhou-se pela arquitetura, moda, artes em geral e design de interiores. É considerado o primeiro tipo da Era Moderna. Copacabana parecia o local perfeito para a inovadora forma de morar: as chamadas casas de apartamento. O proprietário morava na cobertura e os andares inferiores destinadas ao aluguel. Apenas anos depois que permitiu-se vende-las.

Como atrativo, já que morar em apartamento era visto como algo de segunda classe, materiais riquíssimos foram empregados, como: mármores, latão (o alumínio da época) e cristal. Descobertas geológicas como a tumba de Tutancâmon, as pirâmides Astecas/Incas e o chamado Futurismo influenciaram a estética do estilo Art Déco.

O primeiro prédio residencial construído no estilo foi o Ribeiro Moreira, hoje na região do Lido. Ele tinha comércio chamado Ok no térreo, por isso foi conhecido assim por muito tempo. Mármore preto belga e mármore Carrara italiano compõem o hall suntuoso, com arandelas em latão e portas em ferro. Note que estamos na esquina com a avenida beira-mar e depois de 90 anos não há um sinal sequer de corrosão. Um conjunto de espelhos completa, este sim, com duas das suas partes com leve sinal de oxidação.

Na sequência deste está o Petrônio, também no largo do Lido. O seu hall menor que o Ribeiro Moreira, se vale de formas arredondadas na pilastra como um golpe visual para parecer maior que de fato. Um tipo raro e hoje proibido de mármore alaranjado se faz presente. O material veio da Sibéria e, junto com mármore preto belga, completa o conjunto arquitetônico.

O terceiro prédio fica no número 94 da mesma rua. Sua fachada contém madeira fossilizada, que aqui foi cortada de maneira ao espectador perceber que trata-se de madeira com seus veios aparentes. Lustrados de tal maneira que ninguém nega ser pedra.

A quarta construção é bastante famosa por seu ilustre morador até final da vida – Dorival Caymmi. Este, descoberto por Wall Disney, que queria um parceiro para criar o esteriótipo Carioca-Brasileiro, o Zé Carioca. Cimento armado, formas arredondadas, tipologia da fachada criada pelo arquiteto – característico do estilo.

O quinto edifício chama-se Santa Helena, projetada pelo francês Eduardo Bittencourt, o mesmo da casa do santos Dumont na cidade de Petrópolis. Com mármore travertino branco na fachada, material este não apropriado para locais de grande poluição devido a porosidade. Influência do estilo Luis XVI (louros na porta de ferro), leva coluna jônica na entrada e dórica no saguão.

O sexto chamado Orânia possui dois vitrais espetaculares que o diferencia dos demais, juntamente a estátua Midnet precursora do feminismo. No século XX era permitido que as mulheres, depois dos afazeres domésticos matinais, saíssem de casa para um passeio. O nome urânia é curioso, significa “fora da terra”.

Na sequência temos:
o Ophir, do arquiteto Lessa, que curiosamente desenhou este rosto debochado no lado esquerdo da porta de acesso;

o Guahy, com uma fachada de quina viva que lembra muito filmes de ficção científica e sua entrada um cocar indígena, todo em pó de pedra;

o Tuiuti, que de tão estilizada tipologia o nome do prédio quase não é compreendido;

o Caxias, famoso por ter sido locação das filmagens da novela Avenida Brasil e por deter o mais raro tipo de mármore, chamado imperial. O Palácio Imperial de Petrópolis – Rio de Janeiro é outro local onde esta pedra é protagonista de todos os móveis. Coluna com arandelas, pastilhas, tudo de acordo com o estilo Art Déco.

O Edifício Alagoas com seu hall que parece mais uma sala de trono.

O Itaoca, traz de forma literal a onda da valorização do que é brasileiro. Note que todos os prédios levam nomes indígenas, retrato de uma época em que se considerou o índio o primeiro cidadão brasileiro. As cores verde e amarelo foram escolhidas pelos arquitetos inglês e austríaco, projetistas do edifício. Pedra majólica verde das colunas era usada pelos índios marajoara. O lustre original ornamentado com pinhas era a vela e foi transformado para eletricidade. O indício é claro pelas “donzelas” – vidros que permitiam que as velas permanecessem acesas mesmo com o vento (mantinham o fogo aceso).

O Itahy é aberto por uma escultura da deusa das águas Iara. Na sequência, as águas representadas por um mural no chão de pastilhas de autoria do primeiro muralista brasileiro Gastão Formentes; colunas que lembram cascatas e guarda-corpo das escadas que remetem a espuma formada pelo chocoalhar da água.

O Brasil fecha a série, com seu lustre espetacular.

Obrigada ao sr Milton Neves, pelo conhecimento.

MORAR MAIS POR MENOS Rio 2017 Tendências

O Morar Mais por Menos 2017 trouxe ao Rio as tendências de decoração que enaltecem a criatividade e o design acessível. Rosê é a cor de 2017. A pintura criativa nas paredes promete trazer mais cor para os ambientes de diversas formas. O uso do ferro e do bambu é indiscriminado. O artesanato promete muito tricô, crochê e tramas naturais na decoração.

Tendência 1 – ROSÊS: esta denominação que unifica as tonalidades pastéis do rosa, estava presente nos móveis, nas paredes, nas luminárias, nas almofadas, colchas, quadros e vasos. Inusitada a intervenção criada “por acidente” no bordo da porta do Banheiro Contemporâneo – como nos contou o simpático arquiteto Fabiano Ravaglia. “Na falta do bordo (bordo é aquela faixa que é colada na borda do MDF de móveis e tudo que for em MDF) da mesma cor da porta, já que o MDF escolhido para a porta era lançamento, improvisamos com bordo rosê liso, e ficou muito harmônico com a textura amadeirada”. E ficou mesmo!!

Tendência 2 – PINTURA CRIATIVA: arte estampada nas paredes, ou melhor, pintada diretamente nas paredes. Esta forma inovadora de dar mais cor (por favor!) aos ambientes tem low cost e high effect. Seja geométrico (olhe este triangular e o que remete as formas típica dos papéis de parede e estampa dos vestidos dos anos 60); estilo taidai (deste quarto clima surf esverdeado); ou figurativo (veja as montanhas multicoloridas do escritório ou cor-de-rosa do quarto do bebê) todos são incríveis.

Tendência 3 – FERRO: o efeito ferro (porque a liga metálica aqui pode ser aço, etc) está em toda parte! Araras aéreas criativas, quadro na parede da piscina, escultura cactus, base de sofá, pendentes, cabeceira da cama, base de cadeiras e mesas. Ele combina com (quase) tudo e traz um ar contemporâneo do estilo industrial dos nossos tempos.

Tendência 4 – ARTESANAL: enquanto o mundo caminha para a tecnologia aliada a industrialização de massa, a contra-cultura do manual dá seus ares: artesanato está em alta no mundo todo. Da última vez que estive na Starbucks de Chinatown uma menina fazia um tricô entre um gole e outro. No Brasil o crochê se espalha. Tramas coloridas no biombo (padronagem lembra arte indígena), tapete em couro pintado como azulejos, banquetas e colchas tricotadas em lã crua (aquelas rústicas, tiradas “direto” das ovelhinhas), pantalhas de pendentes em palha (em entrelaçamento que remete a palha indiana), pufes “toras” de madeira natural (os nós naturais são destacados com iluminação interna) e muita cerâmica nordestina e de Búzios (a série de Búzios é protegida com cera de abelha, material especial que não desbota a pintura).

Tendência 5 – BAMBU: assim como com rosês, o bambu saiu das passarelas da moda e caiu nos lares (ou foi o caminho inverso?). Paredes, móveis, roda-meio, e em alguns projetos ele deixa de ser coadjuvante para ser protagonista. Leve, fresco, toque oriental que combina com os trópicos, por isso deve ter conquistado cada vez mais brasileiros.